O Bacalhau.

Comer bacalhau na Páscoa é uma tradição, mas comer bacalhau o ano todo é um privilégio de poucos restaurantes no Rio. No Alvaro’s o legítimo bacalhau da Noruega esta presente o ano todo em dez versões, como o Bacalhau com Pimentão no Azeite, Bacalhau à Minhota, Bacalhau à Espanhola, Bacalhau Grelhado à Lionesa e Bacalhau à Portuguesa entre outros. O hábito de comer bacalhau é herança da colonização portuguesa, e de lá pra cá a iguaria se tornou uma das preferências nacionais, apesar da grande variedade de peixes à disposição da população devido ao nosso vasto litoral. Seja no petisco que cai bem com a cerveja ou na bacalhoada que impressiona, o peixe se tornou presença obrigatória no cardápio da maioria dos bares e restaurantes da cidade. No Brasil, país extremamente católico, o consumo de bacalhau aumenta na Semana Santa, quando se comemora a ressurreição de Cristo.

Um Alimento Milenar: O início do Bacalhau com os Espanhóis e os Vikings Bacalhau para os povos de língua portuguesa; Stockfish para os anglo-saxônicos; Torsk para os dinamarqueses; Baccalà para os italianos; Bacalao para os espanhóis; Morue, Cabillaud para os franceses; Codfish para os ingleses. (O nome bacalhau, de acordo com o Dicionário Universal da Língua Portuguesa, tem origem no latimbaccalaureu. )

As Guerras do Bacalhau O bacalhau foi uma revolução na alimentação, porque na época os alimentos estragavam pela precária conservação e tinham sua comercialização limitada ( a geladeira surgiu no século XX). O método de salgar e secar o alimento, além de garantir a sua perfeita conservação mantinha todos os nutrientes e apurava o paladar. A carne do bacalhau ainda facilitava a sua conservação salgada e seca, devido ao baixíssimo teor de gordura e à alta concentração de proteínas. Um produto de tamanho valor sempre despertou o interesse comercial dos países com frotas pesqueiras. Em 1510, Portugal e Inglaterra firmaram um acordo contra a França. Em 1532, o controle da pesca do bacalhau na Islândia deflagrou um conflito entre ingleses e alemães conhecido como as "Guerras do Bacalhau". Em 1585, outro grande conflito envolveu ingleses e espanhóis. Por isso, ao longo dos séculos, várias legislações e tratados internacionais foram assinados para regular os direitos de pesca e comercialização do tão cobiçado pescado. Atualmente, com a espécie ameaçada de extinção em vários países, como o Canadá, tratados internacionais de controle da pesca estão sendo revistos, com o objetivo de assegurar a reprodução e a preservação do "Príncipe dos Mares".

O começo do bacalhau no Brasil O hábito de comer bacalhau veio para o Brasil com os portugueses, já na época do descobrimento. Mas foi com a vinda da corte portuguesa, no início do século XIX, que este hábito alimentar começou a se difundir. Data dessa época a primeira exportação oficial de bacalhau da Noruega para o Brasil, que aconteceu em 1843. Na edição do Jornal do Brasil de 1891 está registrado que os intelectuais da época, liderados por Machado de Assis, reuniam-se todos os domingos em restaurantes do centro do Rio de Janeiro para comer um autêntico "Bacalhau do Porto" e discutir os problemas brasileiros. Mais de um século depois, ainda são muito comuns nosrestaurantes especializados estes "almoços executivos", onde a conversa sobre negócios é feita saboreando um bom bacalhau.

A tradição popular do bacalhau. Durante muitos anos o bacalhau foi um alimento barato, sempre presente nas mesas das camadas populares. Era comum nas casas brasileiras o bacalhau servido às sextas-feiras, dias santos e festas familiares. Após a 2ª Guerra Mundial, com a escassez de alimentos em toda a Europa, o preço do bacalhau aumentou, restringindo o consumo popular. Ao longo dos anos foi mudando o perfil do consumidor do bacalhau, e o consumo popular do peixe se concentrou, principalmente, nas principais festas cristãs: a Páscoa e o Natal. Atualmente, o bacalhau está totalmente incorporado à cultura culinária brasileira. Todos os bons restaurantes oferecem em sua carta o nobre pescado, e o bolinho de bacalhau é preferência nacional nos bares e botequins. Como em Portugal, também desperta paixões e inspira famosos escritores.